
A MEMÓRIA É UMA TRAIÇÃO – Acolhimento Pedro Branco
29 Março
Domingo 17h
M/14 Teatro
70’
(10€ bilhete único)
“A MEMÓRIA É UMA TRAIÇAO”
Gosto da palavra “propósito”. Podemos encerrar nela quase tudo e quase nada. É, pois, numa espécie de vazio à la carte que a ousadia se dá (outra palavra que gosto).
“A memória é uma traição” surgiu a propósito da reação do Orlando um comentário meu no Facebook, numa destas redes atuais cheias de perdidos convencidos que têm poder ou… propósitos… que faz com que hoje seja difícil a permanência.
Tenho, portanto, apenas e só, o propósito de deixar uma permanência que possa servir uma ideia de cada um procurar dentro de si as maiores banalidades sobre o assunto e que se sinta verdadeiramente poderoso e cheio de argumentos para poder opinar e… postar.
“A memória é uma traição” é um diálogo “toca e foge”, uma frenética deambulação pelas vidas e experiências de dois teimosos – o Orlando e eu – que acreditam ser isso e muito mais. Uma vertigem, às vezes embriagada, que folheia o livro do Orlando (“Regresso a casa”), como se fossem dedos ansiosos de uma mão por nunca chegar ao fim da leitura. Uma vertigem com a ousadia de ser perpétua.
Não se espere grande coisa, sinceramente. Que para isso existem os poetas.
Pedro Branco

“A erva nem cresceu. Não se pode ser vagabundo e artista e ao mesmo tempo um burguês saudável e são. Se você quer embriaguez, aceite a ressaca também! Se você quer sol e belas fantasias, aceite também a sujeira e o fastio! Tudo está dentro de você, o ouro e a lama, o prazer e a dor, o riso infantil e a angústia mortal. Aceite tudo, não se aflija com nada. Não tente fugir de nada! Você não é burguês, também não é grego, não é harmónico e dono de si mesmo, você é um pássaro em plena tempestade. Deixe-a rugir! Deixe-se levar! O quanto você mentiu! Quantas milhares de vezes, mesmo em seus livros e poesias, você fingiu ser o harmonioso e sábio, o feliz, o iluminado! Eles fingiram ser os heróis ao atacarem na guerra, enquanto as entranhas tremiam! Meu Deus, como o homem é sinistro e fanfarrão, principalmente o artista, principalmente o poeta, principalmente eu!”
Hermann Hesse
ESPAÇO
Ao centro, a toda a largura do palco, atrás, uma tela onde serão projetadas em grande formato vídeos que acompanham os audios dos textos do livro do Orlando.
Ao centro, uma mesa redonda, onde está sentado o Orlando.
A um canto, discreto, numa cadeira de realizador, o “Encenador”, que vai interagindo com o Orlando durante a representação.
MEMÓRIA DESCRITIVA
Orlando é uma pessoa que está sentada na mesa de um café e que vai pensando emvoz alta sobre a vida, sobre o futuro, sobre o passado, sobre o Homem… Vamos sendo confrontados e inquietados com uma série de pensamentos sobre nós.
Pelo meio, vamos assistindo à leitura em vídeo de algumas histórias do pátio e dasvivências de um homem de 63 anos, mostrando que Lisboa foi uma cidade bem diferente do que é agora. Aqui, também, acabamos por nos debatermos com a mudança dos tempos e, por consequência, com o nosso lugar no mundo.
O encenador, a um canto, vai ajudando neste “diálogo” entre o passado e o presente, procurando que se realcem alguns aspetos que, naquele momento e a partir de algum acontecimento inesperado, possa acontecer.
O público, no final, fica com um portefólio de memórias várias, que seguramente, não o deixará indiferente.
EQUIPA ARTÍSTICA e TÉCNICA
Encenação | Pedro Branco
Textos e Interpretação | Orlando Luz e Pedro Branco
Espaço Cénico | Orlando Luz
Edição de Som e Vídeo | Francisco Luz
Reserva OBRIGATÓRIA:
email [email protected]
telefone 938018777 ou 966046448
